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DULCINA DE MORAES


Dulcina de Moraes nasceu na cidade de Valença, estado do Rio de Janeiro, em 1908 . Durante toda a sua vida ela foi atriz de teatro. Intérprete de estilo próprio, sobretudo no gesto e no rosto, e de temperamento mais propício à comédia, Dulcina atravessou cinco décadas de montagens sucessivas, três delas à frente de sua companhia, tornando-se um “monstro sagrado” do teatro brasileiro.

Na década de 50, ela criou a” Fundação Nacional de Teatro”, uma das primeiras escolas de formação em teatro no país.
Filha dos atores Conchita e Átila de Morais, Dulcina tomou parte em representações da companhia mambembe dos pais ainda bebê. A carreira de atriz começou na década de 20, quando assinou seu primeiro contrato, com a Companhia Brasileira de Comédia, de Viriato Corrêa. Aos 17 anos, entrou para a empresa teatral de Leopoldo Fróes, a mais importante do início do século. Já no começo de carreira, seu desempenho chamou a atenção do público e da imprensa, que o define como uma vocação inata. Ao mesmo tempo em que é elogiada pela sinceridade, pela naturalidade e pelo temperamento vivaz, recebeu restrições a seus excessos, sua falta de domínio do rosto e dos gestos, incapazes de comedimento.

Em 1934, fundou com o marido, o ator Odilon Azevedo, a “Companhia Dulcina-Odilon”. No mesmo ano, protagonizou “Amor”, de Oduvaldo Vianna. O autor se encarregou da orientação artística da montagem e promoveu uma lapidação na interpretação da atriz que a fez, segundo o crítico Mário Nunes, transformar seu nervosismo em expressividade e, dessa forma, atingir “a posição mais alta que no nosso meio, uma atriz pode alcançar”.

O sucesso da atriz atingiu as camadas mais altas da sociedade e Dulcina fez moda: os vestidos que usou em cena serviram como modelo para o público feminino. Ganhou medalha do mérito da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, ABCT, como melhor atriz do ano de 1939, pelo conjunto de trabalhos.

Em 1945, a montagem de “Chuva”, de John Colton e Clemence Randolph, teve apoio e subvenção do ministro Capanema para uma temporada oficial no Teatro Municipal. O espetáculo se tornou um marco em sua carreira, na medida em que se mostrou engajado na modernização teatral – principalmente pela idéia de conjunto em que se baseia. A crítica considerou o papel de Sadie Thompson um dos melhores da carreira da atriz. Um dos aspectos que mais impressionou o público, foi a chuva, que durante os três atos caiu sem parar no palco. Em viagem ao exterior, Dulcina mereceu destaque na imprensa espanhola e “Chuva” se tornou o carro-chefe da companhia, fazendo parte de seu repertório durante 15 anos. Na remontagem de 1953, a revista Anhembi publicou que “Chuva” está para os nossos velhos grupos profissionais, como “Vestido de Noiva” está para os novos”, em função da técnica e do equilíbrio que caracterizavam a montagem.
Em 1949, ganhou novamente o Prêmio ABCT, mas agora como melhor direção por” Mulheres”, de Claire Boothe.

Em 1952, Dulcina já é a “primeira atriz do teatro brasileiro”. Voltou a ser criticada pela interpretação desmedida em” A Doce Inimiga”, de André-Paul Antoine, 1953, ano em que ganhou o Prêmio Municipal de Teatro de melhor direção por” O Imperador Galante”, de Raimundo Magalhães Junior.
No final dos anos 50, convencida da necessidade de revestir a profissão de ator de uma preparação técnica, a atriz investiu o dinheiro poupado ao longo da carreira na criação da Fundação Brasileira de Teatro, FBT, que realizou cursos e espetáculos. Em 1972, transferiu-se com sua fundação para a capital federal.

Dulcina só retornou ao palco carioca em 1981, a convite de Bibi Ferreira, que a dirigiu em “O Melhor dos Pecados”, de Sérgio Viotti, escrito especialmente para a atriz. O espetáculo se iniciou com uma citação de” Chuva:” ao se apagarem as luzes, ouviu-se a gargalhada da atriz na coxia – o que fez o público, na estréia, ovacionar vivamente, em sinal de reconhecimento. Ganhou o Prêmio “Molière Especial”. O crítico Yan Michalski, identificando que toda a razão de ser do espetáculo estava no retorno e na homenagem a Dulcina, a define como “monstro sagrado”, termo que identificava os grandes atores, capazes de unir carisma e técnica numa interpretação pessoal.

No texto, o crítico define o estilo da atriz: “O instrumental de que Dulcina dispõe, particularmente no gênero da comédia ligeira e sofisticada, sempre foi admirável: ela domina o desenho do gesto com precisão milimétrica, desloca-se pelo palco com uma elegância toda pessoal, dispõe de uma gama bem definida de recursos faciais, elaborou uma musicalidade de inflexões inconfundível, e sobretudo controla à perfeição esse trunfo misterioso – mas eminentemente técnico – chamado ‘tempo da comédia’.”

Em 1960, a atriz participava de montagens teatrais transmitidas pela TV Tupi do Rio de Janeiro, como “Uma Mulher de Outro Mundo”, levada ao ar em 15 de maio.

Dulcina de Moraes faleceu em Brasília em 1996. Ela sempre foi considerada ‘Um Monstro Sagrado do Teatro Brasileiro”.

 
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