PRÓ-TV

A história da TV Cultura



O canal 2 de São Paulo entrou no ar em 20/09/60.

Tinha seus estúdios instalados no 15° andar do edifício Guilherme Guinle, sede dos Diários Associados, na Rua 7 de Abril, 230. Apesar do slogan “Um verdadeiro presente de cultura para o povo”, inicialmente a TV Cultura era comercial, integrante das Emissoras Associadas de Assis Chateubriand, também proprietário da TV Tupi. José Duarte Jr se encarregou da direção artística e comercial neste período. Posteriormente, Mário Fanucchi ocuparia o cargo. Com poucos recursos, mal dava para se realizar os musicais e telejornais no estúdio de menos de 30m². A apresentadora Xênia Bier, o jornalista Ney Gonçalves Dias, o produtor Fausto Rocha e Jacinto Figueira Jr – o “Homem do Sapato Branco” – foram alguns destaques nos primeiros anos de existência da emissora.

Em 1963, com a criação do SERTE – Serviço de Educação e Formação pelo Rádio e Televisão – foi estabelecido um convênio entre o Governo do Estado de São Paulo e a TV Cultura, com o objetivo de produzir 10 horas semanais de programação educativa.

Em 28/05/65, um incêndio destruiu boa parte dos equipamentos, o que levou a emissora operar num estúdio no Sumaré. Em 1966, viria a se instalar num novo complexo na Freguesia do Ó, em meio a um bosque natural e à lagoa Santa Marina.

Em 26/09/67, o governador Roberto de Abreu Sodré criou a Fundação Padre Anchieta – Centro Paulista de Rádio e TV Educativa (entidade de direito privado instituída pelo governo do Estado, mantida por dotações orçamentárias e recursos obtidos junto à iniciativa privada e administrada por um conselho misto com representantes de instituições públicas e privadas ligadas à área de cultura e educação do Estado – USP, UNESP, Unicamp, PUC, Mackenzie, SBPU, ABI, UBE, UEE e outras), que logo adquiriu a Cultura. Na época, o negócio custou 70 centavos a cada paulista.

Em 1968, o canal 2 interrompeu suas transmissões, até retornar experimentalmente em 04/04/69, sob nova administração e com sede na rua Carlos Spera, 179, no bairro da Água Branca. Chegou a se pensar em rebatizar a estação de TV Escolar e TV Educativa, idéia logo abandonada.

Como tv pública, suprapartidária e sem fins lucrativos, a emissora inaugurou oficialmente sua nova fase às 19h30 do dia 15/06/69, quando discursaram o governador Sodré e o presidente da Fundação, José Bonifácio Coutinho Nogueira. Os festejos incluíram até uma bênção do papa Paulo VI, filmada à distância. A seguir foi exibido um vídeo sobre a nova TV e a programação que estaria no ar a partir da primeira semana. A grade inicial preenchia 4 horas diárias, à noite. O 1° programa da TV Cultura foi “Planeta Terra” – um documentário sobre fenômenos da natureza, exibido na 2ª feira, dia 16/06/69, às 19h30. Albina Mosqueiro entrou em cena às 19h55 com boletim meteorológico – ela era “A Moça do Tempo”. Às 20h começaram as aulas do “Curso de Madureza Ginasial”, apresentadas por atores, que encenaram trechos de “O Feijão e o Sonho”, de Orígenes Lessa. Às 21h, o programa “Quem Faz o Quê”, que abordava as mais diversas profissões, estreou acompanhando o trabalho de artistas plásticos. A série “Sonatas de Beethoven” trouxe música clássica com o pianista Fritz Jank, às 21h30. Encerrando a programação daquele dia histórico, o famoso diretor Ziembinski apresentou às 22h15 “O Ator na Arena”, selecionando trechos da peça “Yerma”, de Lorca, interpretados por Carlos Arena e Ana Lúcia Vasconcelos. Muitos apresentadores eram jovens universitários escolhidos em concurso público. Além da tv, a RTC (Rádio e Televisão Cultura), controlada pela Fundação Padre Anchieta, inlcuía duas emissoras de rádio – Cultura AM e FM. De acordo com seus estatutos, a Fundação deveria estar livre de influências e pressões externas. Mas o governo estadual viria a interferir por muitas vezes nas atividades da TV Cultura.

Em 1974, diversos jornalistas se demitiram por não aceitar a divulgação de notícias de interesses pessoais no programa “Hora da Notícia”. Em 1975, o diretor de telejornalismo Vladimir Herzog foi assassinado pelos carrascos da ditadura. E em 1979, o governador biônico Paulo Maluf tentou usar a máquina em seu favor, exigindo espaço na programação.

Em 1982, o governador José Maria Marin quis alterar os objetivos da Fundação e demitir os membros qualificados do Conselho para colocar gente de sua confiança, mas o Supremo Tribunal de Justiça derrubou estes decretos. Finalmente era reconhecida a autonomia da Fundação. Nos anos 70, Nídia Lícia se encarregou da realização dos teleteatros da emissora.

Em 1978, a TV Cultura promoveu o “Festival de Jazz”, reunindo astros nacionais e internacionais como Dizzie Gillespie, Betty Carter, Herbie Hancock, Egberto Gismonti, Chick Corea, Etta James, B. B. King etc. Programas de auditório e game shows começaram a ser produzidos a partir da compra do Teatro Franco Zampari, em 1981: “Qual é o Grilo” (1981), “É Proibido Colar”, com Antônio Fagundes e Clarisse Abujamra (1982), “Quem Sabe, Sabe”, comandado por Walmor Chagas (1982) e “Super Grilo” (1982). Ao longo dos anos, a programação da TV Cultura sempre se preocupou em observar e servir a comunidade: “Madureza Ginasial (1969), “Jovem Urgente”, com o psiquiatra Paulo Gaudêncio (1969), “MPB Especial”, dirigido por Fernando Faro, com os principais nomes da canção nacional (1972), a novela instrutiva “Meu Pedacinho de Chão” (1971), o infantil “Vila Sésamo” (1972), “Teatro 2” (1974), “Vox Populi”, que inovou com cidadãos comuns formulando as perguntas às personalidades (1977), “Viola, Minha Viola”, com Inezita Barroso (1980), “Bambalalão” (1980), “Metrópolis” (1980), “Festa Baile” (1981), “Teleromance” (1981), “Curumim” (1981), “A Fábrica do Som”, apresentado por Tadeu Jungle (1983), “Roda Viva” (1986), “Matéria Prima” (com Sérgio Groisman, 1990), “Vitrine” (1990), “Rá Tim Bum” (1990), “Mundo da Lua” (1991), “Castelo Rá Tim Bum” (1994), a série “Confissões de Adolescente” (1994) e “Turma da Cultura” (1997). Na gestão de Jorge da Cunha Lima, foi efetivado o projeto da Rede Pública de Televisão (RPTV), em 27/09/99: 20 emissoras públicas e 938 retransmissoras que recebiam os sinais da TVE e da Cultura passaram a exibir à noite a programação única da RPTV em tempo real. Também a partir desta data, a propaganda comercial selecionada foi incorporada aos intervalos da programação da TV Cultura.

Crédito obrigatório: Texto retirado do “Almanaque da TV – 50 Anos de Memória e Informação”, Ricardo Xavier (Ed. Objetiva, 2000), com autorização do autor.

Elmo Francfort

O autor é Gestor de Conteúdo da PRÓ-TV, além de consultor de televisão, na área de pesquisa e teledramaturgia. Faz parte da associação desde 2001. Já escreveu inúmeros livros sobre a história da televisão brasileira, sua área de especialidade.

 
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