PRÓ-TV

A história da TV Bandeirantes



Em 1945, em São Paulo, João Saad comprou a Rádio Bandeirantes, que tinha sido da família Machado de Carvalho. Ainda na gestão do presidente Getúlio Vargas, lhe foi dada a concessão de um canal de tv na capital paulista.

No Morumbi, em 1961, iniciaram-se as obras do Edifício Radiantes – um prédio especialmente construído com a finalidade de abrigar a mais moderna televisão da América Latina, e mais tarde apelidado pelos funcionários de “palácio encantado”. Com torre de transmissão no pico do Jaraguá, em fevereiro de 1967 entraram no ar as imagens experimentais, com slides, filmes e documentários.

Apenas em 13/05/67 a TV Bandeirantes seria inaugurada. A abertura do canal 13 paulistano contou com um discurso de Saad, seguido de um show dos cantores Agostinho dos Santos e Cláudia. Também presentes à solenidade, o presidente Costa e Silva, o governador de SP Abreu Sodré, o prefeito Faria Lima, ministros e secretários de Estado. Em frente à emissora, foram montados um parque infantil e um circo franqueado ao público. Durante dois dias foram promovidas gincanas e brincadeiras, sendo distribuídos brindes e flâmulas comemorativas. Com a colaboração da primeira dama do Estado, Dª Maria Abreu Sodré, foram sorteadas 5 casas para mães pobres. Um coelhinho foi adotado como símbolo do novo canal, cuja cúpula era formada por Álvaro de Moya, Murilo Leite, Arapuã, Amarílio Nicéa. Inicialmente, uma novidade foi testada na grade da programação, eliminando-se os intervalos inter-programas. Destacaram-se nesta primeira fase a novela “Os Miseráveis”; os boletins jornalísticos “Titulares da Notícia”; os programas “Ari Toledo Show”; “Leporace Show”, com Vicente Leporace; “Cláudia Querida”, com a cantora; “I Love Lúcio”, espetáculo de música e humor comandado por Lúcio Mauro e Arlete Salles; “Além, Muito Além do Além”, teatro de terror com Zé do Caixão. Em pouco tempo a direção da emissora passou a Gilberto Martins e Antonino Seabra. Na gestão do diretor Roberto Montoro, em 1968, foi adquirido o Cine Arlequim, na av. Brigadeiro Luis Antônio, transformado no Teatro Bandeirantes Centro. Já com Cláudio Petraglia na direção-geral, em 1973 o canal foi pioneiro na programação totalmente colorida.

Em 12/08/74 foi inaugurado o novo Teatro Bandeirantes, num grande show que reuniu Elis Regina, Chico Buarque, Maria Bethânia, Rita Lee e Tim Maia. Naquele ano, as contas já estavam em dia e a emissora começou a ter lucro. Em 07/12/75 foi comprada a TV Vila Rica, transformada em TV Bandeirantes de Belo Horizonte para dar início à formação da rede.

Tendo estreado em São Paulo num dia 13 no canal 13, por superstição cabalística ou não, a Bandeirantes transmitiu seu 1° sinal de teste no Rio de Janeiro no dia 7/7/77 às 7 da noite no canal 7. A programação experimental era composta por séries enlatadas, filmes e vídeo-teipes de jogos de futebol.

Dois meses depois, em 9/9/77, a versão carioca da Bandeirantes entrou no ar oficialmente com o nome de TV Guanabara, situada na rua Álvaro Ramos, 492, em Botafogo, e tendo Renato Teixeira Bastos como diretor geral. Às 19h20, a solenidade começou com um discurso de João Saad perante o ministro das Comunicações, Quandt de Oliveira, o Governador Faria Lima, o Prefeito Marcos Tamoyo e demais convidados. A estréia foi com o especial “Meus Caros Amigos”, de Chico Buarque e um filme inédito na tv: “Lawrence da Arábia”. Na época, outras 12 pequenas estações espalhadas pelo Brasil compunham a Rede Bandeirantes. Nesta fase foram produzidos grandes musicais, estrelando a nata da MPB – que juntos com as transmissões esportivas, os filmes e um telejornalismo “agressivo”, formaram a base da programação. Em 1978, a TV Guanabara também passou a se chamar Bandeirantes.

Na virada para o ano de 1979, Guga de Oliveira assumiu a direção-geral. Em 1982, a rede foi pioneira na utilização de um canal exclusivo de satélite para suas transmissões simultâneas. Já conhecido na Rádio Bandeirantes-FM, o simpático apelido “Band” foi trazido para o vídeo pelo superintendente Roberto de Oliveira no carnaval de 1995, caindo de vez na boca do povo. Na mesma ocasião, a rede foi a primeira a inserir seu logotipo no canto do vídeo, no padrão conhecido como marca d’água.

Além das emissoras de sinal VHF espalhadas pelo Brasil, em 21/10/96 a Bandeirantes passou a operar em São Paulo um canal aberto transmitido em UHF (Canal 21), prestando serviço à cidade e programando filmes e séries – foi a 1ª emissora brasileira dedicada exclusivamente a uma região metropolitana. Entre os destaques da TV Bandeirantes, “A Cozinha Maravilhosa de Ofélia”, “Xênia e Você” (1967), “A Hora do Bolinha” (1973, com o animador Edson Curi), “Série Documento” (1974, cada edição trazia depoimentos de um artista consagrado), as telenovelas “Cara a Cara” (1979) e “Os Imigrantes” (1981), o jornalístico “Canal Livre” (1980), “Show do Esporte” (1983, maratona esportiva comandada por Luciano do Valle), “Flash” (1986, com o colunista eletrônico Amaury Jr), o programa de entrevistas “Cara a Cara” (1988, com Marília Gabriela), “H” (1996, com Luciano Huck) e “Super Técnico” (1999).

Fonte “Almanaque da TV – 50 Anos de Memória e Informação”, de Ricardo Xavier (Ed. Objetiva, 2000).

Elmo Francfort

O autor é Gestor de Conteúdo da PRÓ-TV, além de consultor de televisão, na área de pesquisa e teledramaturgia. Faz parte da associação desde 2001. Já escreveu inúmeros livros sobre a história da televisão brasileira, sua área de especialidade.

 
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