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O grande sucesso de O Direito de Nascer



Em 1946, quando o cubano Felix Caignet (1892-1976) escreveu a radionovela “El Derecho de Nacer”, ele não podia imaginar que sua obra faria tanto sucesso em toda a América Latina. O mesmo se aplica aos criadores da telenovela brasileira e à TV Tupi, que investiram na adaptação brasileira feita por Talma de Oliveira (1917-1976) e Teixeira Filho (1922-1984), mas não imaginavam que o sucesso seria tão retumbante.

A novela “O Direito de Nascer” estreou na telinha da Tupi de São Paulo e da TV Rio do Rio de Janeiro, em 07 de dezembro de 1964, e foi um presente de Natal para as emissoras e para as donas de casa, que derrubaram muitas lágrimas com o drama e o segredo que envolviam as personagens de Mamãe Dolores e de Maria Helena de Juncal, também conhecida como Sóror Helena da Caridade.

Foram 282 capítulos dirigidos por dois grandes atores da Tupi, Lima Duarte e José Parisi (1917-1992), que no meio do caminho ainda contaram com a colaboração de outro brilhante ator, Henrique Martins. O sucesso foi tão grande que alguns atores ficaram marcados pelo resto da vida pelos seus personagens. Foi o que aconteceu com Amilton Fernandes (1919-1968), o dr. Albertinho Limonta; Isaura Bruno (1916-1977), a Mamãe Dolores, e Guy Loup, a doce Isabel Cristina.

No último capítulo da novela, exibido ao vivo do Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, e no dia seguinte, também ao vivo do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, a audiência atingiu cerca de 1,5 milhão de telespectadores e os atores foram aplaudidos e ovacionados pelo público presente nos dois ginásios, como nunca mais se viu na história da telenovela brasileira.

O enredo, de contornos bem melodramáticos, era audacioso para a época, e contava a história de uma jovem, Maria Helena de Juncal, descendente de uma nobre família, que na moralista cidade de Havana engravidava do noivo e tornava-se mãe solteira com a recusa do noivo em se casar com ela e assumir o filho. O pai de Maria Helena não aceita o neto e, temendo represálias ao garoto, a ama negra, Maria Dolores, foge com a criança e o cria como seu filho. Desgostosa com a vida, Maria Helena se recolhe a um convento, enquanto o garoto se transforma em um médico de prestígio, o dr. Albertinho Limonta.

Amilton Fernandes como Albertinho Limonta; Isaura Bruno como Mamãe Dolores, a primeira personagem negra na história das nossas telenovelas a disputar o papel principal de uma novela; Nathalia Timberg como Maria Helena; Guy Loup como Isabel Cristina, a paixão de Albertinho; José Parisi como Dom Jorge Luis, o verdadeiro pai de Albertinho e Elizio de Albuquerque (1920-1983) como o odiado pai de Maria Helena, Dom Rafael de Juncal, foram os grandes destaques da novela, que ficou mais de oito meses no ar e foi o maior sucesso da TV Tupi no horário nobre, na década de 1960.

Ainda no grande elenco de “O Direito de Nascer” estavam Rolando Boldrin, Maria Luiza Castelli, Henrique Martins, Vininha de Moraes, Clenira Michel, Luiz Gustavo, Marcos Plonka, Adriana Marques, Xisto Guzzi, Jane Batista, Vera Campos, Genésio Carvalho e Oswaldo Loureiro.

Rodolfo Bonventti

 
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